MEMORIAL
"A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original" Albert Einstein
1 Introdução
O presente memorial descreve a minha vida pessoal e profissional, demonstrando como tenho direcionado minha trajetória até eu chegar na decisão de me candidatar a vereadora.
2 Origem
Nasci por volta de 9 horas do dia 24 de Janeiro de 1986, no Hospital Santa Clara, localizado na cidade de Uberlândia – MG. Tive, então, o primeiro contato físico com as pessoas mais importantes da minha vida: meu pai, José Edward Pádua Vilela Junior, minha mãe, Vera Lúcia Batista dos Reis Vilela e meu irmão, Marco Paulo dos Reis Vilela. Desde essa ocasião, minha família esteve ao meu lado, incansavelmente me direcionando e favorecendo minha educação, além da formação humana, claro.
Da infância, tenho várias lembranças. Os finais de semanas passados na fazenda de meus avós paternos, as historinhas e canções da vovó Clóris, a ordenha com o vovô Edward, o subir nas árvores e a diversão com os primos. Os períodos de férias passados na casa de meus avós maternos em Arapongas – PR, a deliciosa gemada da vovó Nega, os passeios com o vovô Alberto, o passatempo com baralhos, as brincadeiras com a prima e o carinho de meus padrinhos, Tio Fausto e Tia Ivanilde.
A convivência e estudos com colegas de escola e vizinhos de diferentes classes sociais e etnias, que, desde cedo me ensinaram a não julgar ninguém por sua condição social, religiosa ou étnica, mas pelo caráter e comportamento e as aulas de Ballet também ficaram marcadas.
3 Ensino infantil, fundamental e médio
Realizei o ensino infantil na Escola Pássaro Azul. O espaço não era grande, mas tinha um ambiente aconchegante e professoras atenciosas. As tarefas, os desenhos, os recreios, a merenda, os aniversários do mês e, sobretudo, os colegas, constituíram um contínuo processo do ensino-aprendizagem que vivi de forma criativa e prazerosa.
Já no início do ensino fundamental, fui para o Colégio Anglo. De começo, havia certa ansiedade misturada com um pouco de euforia frente à mudança. O colégio tinha espaços grandes, escadarias, longos corredores, inúmeras salas de aula, biblioteca, espaço de artes, inspetoras, laboratórios, clube parceiro para a prática de esportes e tantas outras coisas. No entanto, a apreensão inicial foi amenizada com o passar do tempo e com o conhecimento dos espaços e dos colegas, além do constante acompanhamento de meus pais e irmão. Nesta fase escolar comecei a perceber melhor o papel de professores e alunos. Lembro-me de situações de firmeza e de delicadeza de minhas professoras desta época. Realizei todo o ensino médio no mesmo colégio. Desta fase ficaram grandes amigas e amigos que me acompanham até os dias de hoje.
Durante o primeiro e segundo ano do ensino médio permaneci no colégio Anglo. Já o terceiro ano, fiz no Colégio Nacional, conhecido como referência para realização de processos seletivos de universidades públicas e privadas. Durante o período de ensino médio, passava pela adolescência, que foi uma fase de experimentação e de, inclusive, um pouco de rebeldia. Em alguns momentos, senti desinteresse pela escola, achava certos conhecimentos específicos e complicados, não enxergando, naquele momento, relação com minha vivencia cotidiana. Mesmo assim, superei as dificuldades e persisti nos estudos. Dessa forma, assimilei as informações satisfatoriamente, concluindo o ensino médio em 2003. Portanto eu estava preparada para o próximo passo – a universidade.
4 Graduação em Jornalismo
Terminado o ensino médio, tive dúvidas na escolha do curso superior. Acabei decidindo por fazer Jornalismo e ingressei, já no início de ano de 2004, no Centro Universitário do Triângulo, uma vez que não havia este curso na Universidade Federal de Uberlândia. Cursei três períodos, mas, devido a dificuldades financeiras, não continuei esta graduação. Desenvolvi, apesar dos poucos períodos cursados, um pouco de senso crítico e técnicas de redação. Foi, também, um tempo de crescimento, onde a rebeldia deu lugar à responsabilidade.
5 Graduação em Educação Física
Em 2008, ingressei no curso de Educação Física da Universidade Federal de Uberlândia. A escolha, inicialmente, foi baseada no apreço à prática de atividade física. No entanto, ao longo do curso, descortinou-se diante de mim a ampla área do conhecimento que é a Educação Física.
As disciplinas do curso me proporcionaram variados conhecimentos. Percebi que, além das disciplinas diretamente ligadas à prática esportiva, eu gosto muito de disciplinas voltadas para a saúde (como Anatomia, Fisiologia e Bioquímica) e ligadas à educação (como Didática e Pedagogia). Como parte do currículo, realizei estágios durante o curso que provocaram o desenvolvimento prático de capacidades e competências implícitas adquiridas durante aulas teóricas.
Além de cursar a grade curricular, vivenciei outras atividades que contribuíram profundamente em minha formação. Fui monitora da disciplina de Fisiologia do Exercício, o que me permitiu sentir, pela primeira vez, o gosto da docência. Participei do Programa Institucional de Bolsas de Graduação (PIBEG), que me proporcionou a oportunidade de contribuir na produção de material didático para a disciplina de Exercício para Grupos Especiais. Participei, também, do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), onde tive o prazer de realizar minha primeira pesquisa. Fiz parte, durante dois anos e meio, do Programa de Educação Tutorial (PET). A vivencia no PET me proporcionou grandes crescimentos por meio de variadas atividades de ensino, pesquisa e extensão, me mostrando, também, o valor do trabalho em equipe.
Ressalto, na graduação em Educação Física, a fundamental contribuição da Professora Dr. Nadia Carla Cheik, que acreditou no meu potencial, me incentivando e apoiando na formação acadêmica, assim como no desenvolvimento pessoal.
Toda essa experiência da graduação foi muito rica, trazendo-me autoconhecimento e crescimentos profissional e pessoal. A dedicação dos professores e a convivência com os colegas criaram um ambiente ideal para a minha formação superior. Foi, sem dúvidas, um momento intrínseco de reconhecimento do meu perfil profissional e de minhas opções relacionadas à educação física, onde descobri meu gosto pelo estudo, interesse pela docência e afinidade com o trabalho social.
6 Pós-graduação em Fisiologia do Exercício e Prescrição para Grupos Especiais
Logo que terminei a graduação, em setembro de 2012, dei início a uma Pós-graduação, especialização “Lato-sensu”, em Fisiologia do Exercício e Prescrição para Grupos Especiais no Instituto Passo 1, um polo presencial do Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI. A escolha se deu, principalmente, frente a grande afinidade com as disciplinas Fisiologia do Exercício e Exercícios para Grupos Especiais. Tal curso me proporcionou competência técnica e científica relacionada à prescrição adequada de exercícios físicos na prevenção e tratamento de diversos agravos à saúde, tais como doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, assim como no envelhecimento e na gravidez.
Ao final da Pós-graduação, consegui participar do “Projeto Novos Talentos”, um programa de aperfeiçoamento docente oferecido pelo Instituto Passo 1. Tal programa foi composto por grupos de estudos, cursos e reuniões, e tinha como objetivo principal capacitar os participantes para que fossem docentes diferenciados, dinâmicos, embasados teoricamente e comprometidos com a profissão. Foi um curso rápido, mas que teve sua contribuição em meu enriquecimento profissional e pessoal.
7 Experiência Profissional em Educação Física
Em setembro de 2012 fui aprovada em terceiro lugar no concurso público da Prefeitura Municipal de Uberlândia (PMU) para o cargo de Profissional de Educação Física. Estava terminando a graduação em Educação Física, então, solicitei antecipação de colação de grau para assumir o cargo, efetivamente iniciando a minha carreira profissional.
De outubro a dezembro de 2012 atuei no Núcleo de Apoio Integral à Criança e ao Adolescente (NAICA) do bairro Jardim Célia, com crianças e adolescentes de 4 a 15 anos. Neste local, levei uma proposta de um programa de Educação Física integrado, baseado nos conhecimentos conceituais e procedimentais do movimento humano e suas manifestações, buscando não apenas o desenvolvimento físico e orgânico, mas integral dos alunos.
Em janeiro de 2013, fui remanejada para o Centro Educacional de Assistência Integrada ao Idoso (CEAI), onde ministro aulas de ginástica, hidroginástica, alongamento e musculação para pessoas da terceira idade. Já exerci minha função no CEAI dos bairros Luizote, Brasil e Guarani, onde estou atualmente. Em todas as unidades sempre busco não apenas o desenvolvimento da aptidão física relacionada à saúde e à qualidade de vida dos idosos, mas procuro, também, trabalhar as dimensões pessoais e sociais desta população.
O trabalho com idosos é enriquecedor. Aprimoro, a cada dia, minhas competências profissionais, mas, principalmente, cresço pessoalmente. A oportunidade de me relacionar com os alunos e suas histórias me ensina muito sobre as pessoas e sobre mim mesma, permitindo aperfeiçoamento de valores e aquisição de sabedoria. O carinho e amizade dos alunos da terceira idade é uma experiência sublime. Foi na conexão diária com eles que tomei consciência do impacto do trabalho social na vida das pessoas e que me apaixonei pelo serviço à sociedade.
Concomitantemente a atuação na Prefeitura Municipal de Uberlândia, trabalho com aulas coletivas de ciclismo indoor e de treinamento pessoal em academias da cidade. A dinamicidade e o alto astral das academias me chamam a atenção, além da socialização. Porém, neste ambiente, comecei a dar mais atenção a um problema global: a desigualdade de gênero. A inserção da mulher no âmbito esportivo foi marcada por lutas (como em outros setores sociais), mas, ainda hoje, percebe-se frequentemente em hábitos, ações e falas resquícios de uma sociedade marcada pela diferenciação e hierarquização de um sexo em detrimento do outro.
Além destas duas ocupações, eventualmente, ministro módulos em cursos de Pós-graduação e palestras na área de Educação Física e sou membro da diretoria da Associação dos Profissionais de Educação Física de Uberlândia (APEFU).
Em relação à vida profissional, tenho muito carinho por uma homenagem que foi fruto dos meus serviços prestados em Uberlândia. No dia 01 de setembro de 2018, dia do Profissional de Educação Física, eu e alguns colegas de profissão recebemos moção de aplausos na Câmara Municipal de Uberlândia. Senti-me lisonjeada e honrada pelo reconhecimento do meu ofício, por outro lado, a condecoração trouxe consigo a responsabilidade de ser merecedora de tal distinção, de continuar trabalhando com profissionalismo, honradez e seriedade, em prol da sociedade e da profissão. Ser Profissional de Educação Física é, para mim, um grande prazer e privilégio, do qual sou grata todos os dias.
8 Graduação em Nutrição
Progredindo em meus conhecimentos relacionados a Educação Física, percebi que a Nutrição acrescenta muito ao profissional de Educação Física, por isso, no primeiro semestre de 2014, ingressei em uma segunda graduação, o curso de Nutrição da Universidade Federal de Uberlândia.
Trata-se de um curso em período integral, contudo, trabalhando e fazendo pós-graduações, tive que fazê-lo dentro de minhas possibilidades. A cada semestre, participo de disciplinas que se encaixam em minha grade horária e, mesmo com tempo escasso, procuro aproveitar as oportunidades da formação. Fui monitora da disciplina Bioquímica e realizei um intercâmbio estudantil, estudando na Universidade do Porto de setembro de 2017 a fevereiro de 2018.
Fazer um intercâmbio estudantil e morar em Portugal foi uma das experiências mais incríveis da minha vida! Tal vivencia me permitiu ampliar imensamente minha bagagem cultural e experiência de vida. Me levou a lugares, paisagens, monumentos e museus espetaculares. Me deu a oportunidade de conhecer um diferente sistema de ensino e de adquirir habilidades relativas ao meu curso e à minha profissão. Me possibilitou provar comidas, hábitos, costumes, tradições e ambientes sociais novos. Me apresentou pessoas (ímpares!) de variadas nacionalidades e me trouxe novas amizades. Enfim, me proporcionou inéditos olhares sobre o mundo.
Esta experiencia resultou, também, em muito autoconhecimento. Me levou a lugares pouco conhecidos dentro de mim. Me deu novas responsabilidades e incrementou minha coragem para enfrentar desafios. Me conduziu à conquista de autonomia e trouxe minha natureza independente à tona. Me permitiu ampliar capacidades e até me despertou muitas reflexões políticas e filosóficas. Enfim, me proporcionou inéditos olhares sobre mim mesma.
Atualmente, estou na fase final deste curso, cursando as duas últimas disciplinas e ansiosa para iniciar os estágios.
9 Mestrado em Genética e Bioquímica
Em julho de 2015 fui aprovada em primeiro lugar no processo seletivo para ingresso no Curso de Mestrado do Programa de Pós-graduação em Genética e Bioquímica da Universidade Federal de Uberlândia, com direito a bolsa do CNPq. O Mestrado, que durou dois anos, foi uma grande oportunidade de complementar e aprofundar os conhecimentos adquiridos na graduação dentro de um contexto integrado e de interdisciplinaridade. Cursei disciplinas, trabalhei em experimentos do Laboratório de Biofisicoquímica (LABFIQ) e desenvolvi uma dissertação, intitulada “Correlações entre estabilidade de membrana de eritrócitos e variáveis oxidativas, inflamatórias e antropométricas em adolescentes obesos”. Tais atividades me permitiram aprofundar em conhecimentos teóricos e metodológicos, auxiliando no desenvolvimento de capacidades como análise crítica de pesquisas, planejamento de atividades e precisão de resultados.
Tive um breve estágio de docência, onde tive a oportunidade de ministrar algumas aulas em cursos de graduação. Esta experiência possibilitou minha iniciação à docência, oferecendo-me as condições necessárias para que eu pudesse aprofundar conhecimentos de forma a pesquisar, elaborar, redigir e apresentar conteúdos através de aulas. Gostei muito desta atividade de ensino, que me permitiu desenvolver e transformar capacidades intelectuais em direção ao domínio do conhecimento, habilidade e sua aplicação.
Destaco aqui, a orientação do Professor Dr. Nilson Penha nesta trajetória. Homem competente e generoso que, com simplicidade, me ensinou e me guiou não só na construção não só do conhecimento académico e científico, mas também de valores ético e humano.
O mestrado me ajudou, também, na identificação de alguns dos meus potenciais e fragilidades. Comecei a entender melhor o que significa uma carreira acadêmica, suas formalidades, seus benefícios, custos e desafios.
10 Pós-graduação em Tecnologia, Linguagem e Mídias em Educação
Tendo em vista o gosto acadêmico e sabendo da intensa presença das mídias no entretenimento e nos processos de criação, lazer, trabalho e formação, entrei, por meio de processo seletivo, em agosto de 2016, na Pós-graduação em Tecnologia, Linguagem e Mídias em Educação no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Triângulo Mineiro.
Em tal curso, adquiri novas competências relativas ao uso da tecnologia, procedimentos didático-metodológicos e posturas que contemplem processos diferenciados de ensino e de aprendizagem. Tudo isso, posteriormente, tornaram-se instrumentos para um novo fazer tanto em minha prática profissional quanto pessoal.
11 Canal Aimêxa-se
Para além da parte prática da Educação Física e da Nutrição, sempre me encantou a parte teórica e cientifica. Em Janeiro de 2020, juntei todo conhecimento já adquirido e resolvi compartilhar criando um Canal no YouTube, o “Aimêxa-se”.
Este canal tem o propósito de auxiliar as pessoas que buscam um estilo de vida saudável. Assim, levo, semanalmente, informações, discussões, e dicas sobre exercício físico, alimentação, e outros temas relacionados à saúde e à qualidade de vida.
12 Despertar da consciência social
Desde criança valorizo as relações sociais e os espaços compartilhados. Sempre gostei de estar rodeada de amigos e de ajudar as pessoas. Até o ensino médio, me agradava estar engajada nas diversas atividades escolares, contribuindo em momentos de reflexão e decisão. Na universidade cheguei a participar de alguns movimentos estudantis. Porém, foi após o início de minha atuação profissional que veio se intensificando o meu despertar da consciência social.
O trabalho na Secretaria de Desenvolvimento Social da Prefeitura Municipal de Uberlândia, primeiramente com crianças e adolescentes e, depois, com idosos, escancarou a desigualdade social para mim. Me deparei com as mais diversas formas de desigualdade, como por questões econômicas, de gênero, de cor, de crença, de círculo e de grupo social. Por outro lado, foi também no exercício diário de minha atividade que percebi o impacto do trabalho social na vida das pessoas, o que trouxe paixão pelo serviço à sociedade.
A ocupação com o público da terceira idade também me colocou de frente com diferentes realidades desta fase da vida. Sob um ponto de vista, convivo com muito amor, carinho, experiencia e sabedoria, em contrapartida, presencio solidão, perda de pessoas queridas, doenças, aposentadoria, perda do corpo jovem, da independência e até casos de negligência, maus tratos e violência. Tais problemas sociais ficam, na grande maioria das vezes, ocultos, sendo ignorados pela sociedade. Esta constatação me provocou vontade de lidar com estas questões e defender os direitos dos idosos.
Além disso, a vivência de Profissional de Educação Física em centros de treinamento esportivo e academias evidenciou um incomodo adormecido em mim: a desigualdade de gênero. Todos os dias mulheres no mundo todo enfrentam obstáculos pelo simples fato de serem mulheres. Na Educação Física e no âmbito esportivo não seria diferente.
Por muito tempo, houve um afastamento das mulheres da prática esportiva e da educação física em geral, sob discursos como o de que não teríamos condições físicas/fisiológicas para tal ou de que os exercícios causavam uma “masculinização” na mulher.
Como em outros setores sociais, a nossa inserção no terreno esportivo foi marcada por lutas. Porém, ainda hoje, percebe-se frequentemente em hábitos, ações e falas resquícios de uma sociedade frisada pela diferenciação e hierarquização de um sexo em detrimento do outro.
Fui aprofundando a reflexão em torno da discriminação e patriarcado ainda arraigados e defrontei-me com várias outras injustiças. Mulheres são mais violentadas, sofrem mais assédio, têm menor remuneração (no esporte esta diferença é gritante), são mais sujeitas ao desemprego e estão sub-representadas em cargos de poder e na política. Sei das conquistas feministas ao longo da história, mas parece que ainda há motivos pelos quais batalhar.
13 Curso RenovaBR
Em adição aos tópicos citados no despertar da consciência social, o cenário político do país, os casos de corrupção e de manipulação de ações para atender interesses específicos, me despertou maior interesse pelas questões políticas.
Este fato aliado à minha ânsia de aprender a cada dia e a cada instante, me levaram a participar, no início de 2020, de um processo seletivo do Renova Brasil, a maior escola de democracia do Brasil. Fui uma das selecionadas para realizar o Curso “RenovaBR Cidades” em meio a mais de 44 mil interessados do país inteiro.
No curso, estudei de educação à saúde pública, de gestão fiscal ao desenvolvimento social. Foi uma formação enriquecedora, acrescentando não apenas conteúdos políticos, mas desenvolvendo, também, autoconhecimento, motivação, empoderamento e espírito de liderança. Sobretudo, percebi que o país, os estados e os municípios têm soluções. Sou muito grata pela oportunidade de participar deste curso, onde adquiri muito conhecimento e conheci pessoas e profissionais imensamente inspiradores.
14 Candidatura a vereadora
Coincidentemente (ou não), recebi um convite para me candidatar a vereadora nas eleições de 2020. Em um primeiro momento, hesitei, refletindo se estava preparada para tal desafio. Posteriormente, ponderei sobre a possibilidade de fazer o bem em maior amplitude, de contribuir com a idealização e construção de políticas públicas mais inclusivas e igualitárias. Então, resolvi enfrentar o desafio.
Sei que carreira política é profissão muito séria e, mesmo com o curso “RenovaBR Cidades” em andamento fui atrás de mais preparação. Estudei conteúdos independentemente e entrei em grupos que defendem a representatividade das mulheres na política. Dentre eles, destaco o “Elas no Poder”, onde também participei de uma capacitação política. Toda a instrução das mentoras dessa coletividade me trouxe segurança, clareza e, especialmente, entusiasmo por ver toda a garra delas em ajudar mulheres a tornarem-se melhores lideres públicas e políticas.
Em meio a tudo isso, vivia situações angustiantes em minha vida pessoal. No dia 24 de julho de 2020, perdi minha mãe, depois de seis meses lutando contra um câncer. Não há palavras no mundo capaz de expressar a dor daquele momento. Fiquei desnorteada, confusa e, confesso, pensei em desistir. Mas lembrei-me do profundo legado de amor e exemplo de mulher corajosa e batalhadora que ela me deixou e resolvi seguir em frente. É mais custoso sem a companhia, encantos e sorrisos dela, mas tenho fé e sei que ela está comigo de alguma forma.
15 Minhas bandeiras
Acredito na democracia e acho que ela deve ser mais participativa, pois, com a maior presença dos cidadãos comuns, o poder público pode ter contato mais direto com as demandas da população como um todo, sendo um excelente método para enfrentar e resolver problemas.
Nesse sentido, proponho um mandato participativo, por meio de plataforma digital, rede de colaboradores e gabinete itinerante, como forma de incluir a sociedade nos processos de decisão, levantamento de demandas, criação de soluções para problemas, apresentação de projetos de lei e fiscalização. Assim, criaremos uma representação com visão mais holística, colaborativa, aberta, horizontal e dialogada.
Ainda falando de democracia, batalho pela representatividade política feminina. A representação inadequada de mulheres no sistema político gera consequências que se refletem, não só na idealização, construção e execução de políticas públicas que considerem as questões do ser mulher (como por exemplo, combate a violência, igualdade de direitos, equiparação salarial e desconstrução do machismo), mas também no debate adequado em torno de questões fundamentais, como saúde, educação e segurança pública.
Além disso, sendo eu prova viva do poder que a educação tem de transformação social e cultural na vida de uma pessoa, defendo a educação. Uma educação pública de qualidade, que transforma e emancipa, educando para cidadania, para liberdade e para a forma democrática de realização social. Este projeto educacional deve passar pela valorização da carreira do professor, por uma revisão dos espaços de aprendizagem, por uma formação dos gestores educacionais e pela conscientização e engajamento das famílias.
Na posição de Profissional de Educação Física e quase Nutricionista, acredito na promoção da saúde. Para que as pessoas tenham bem-estar físico, mental e social, é importante aprimorar as atividades preventivas, além cobrir tratamentos e medidas curativas. Nesse sentido, há de se promover educação para a saúde, autocuidado e estilos de vida saudáveis para que as pessoas realizem o pleno potencial humano de longevidade com qualidade de vida, vivendo ademais uma vida socialmente produtiva.
Educação de qualidade, igualdade de gênero e saúde e bem estar fazem parte dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) pautados pela Agenda 2030 das Nações Unidas. Eles pretendem acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas possam desfrutar de paz e de prosperidade. Todos são interligados, por isso, estimulo os demais objetivos, sempre buscando direitos humanos plenos e um desenvolvimento que leve em consideração os âmbitos econômico, ambiental e social.